“Liberdade é como um bater de asas de uma borboleta.
No início do século XIX, nasce João Batista, mais um escravo do regime colonial em Pernambuco, ele tinha o costume de olhar para céu noturno e sonhar com a liberdade, o que era concretizado em poucas noites da qual ele conseguia desviar-se dos olhares dos capitães do mato e deitar-se sobre o grandioso céu noturno.
Em uma dessas aventuras, ele conhece Juruna, um indígena transeunte pelas matas do Brasil pregando a guerra que viu em seus sonhos. João Batista não acredita nesta guerra, pois era claro o poder de manter as coisas como são do colonos, assim Juruna mesmo desacreditado indica para João Batista que olhe para as estrelas e diga o que vê.
Com muita dificuldade João Batista começa a ver uma chave se formando no céu e diz a Juruna, seu novo amigo, aquele desenho misterioso que nunca tinha notado antes, então Juruna diz: “Essa terra é muito maior do que qualquer branco possa imaginar”, João Batista volta a olhar para a chave no céu e quando resolve dizer algo a Juruna, ele desaparece. João Batista entende o recado e resolve voltar a senzala antes que fosse tarde.
Nas senzalas de Pernambuco começaram a circular boatos sobre uma terra distante, de liberdade, paz, luta e convívio harmônico. João Batista começa a acreditar em Juruna e reuni um grupo de negros para se encontrar com o líder indígena, secretamente, numa noite sorrateira antes que fossem proferidas as palavras por Juruna, um capitão do mato interfere na reunião atirando em Juruna, João Batista usa sua única arma, os seus pés, e derruba o capitão do mato numa esquiva e ataque ao mesmo tempo, o Aú.
Antes de morrer, Juruna diz aos negros: “Essa terra é muito maior do que qualquer branco possa imaginar”. João Batista indica a fuga aos seus companheiros, eles indagam: “Por qual caminho João?” e ele diz: ”Pela chave escondida no céu noturno”.
Dias se passam e eles embrenhados na mata densa, seguindo a chave de João, até encontrarem um quilombo chamado Catucá. Antes que fossem recebidos, eles teriam que dizer como chegaram, assim pelas palavras de Juruna, João Batista diz: ”Essa terra é muito maior do que qualquer branco possa imaginar”. Logo todos são iniciados pela Jurema Sagrada.
João Batista depois de beber a Jurema Preta, começa a distanciar-se de sua identidade, qual era a verdadeira chave? Por que buscou isso? Por que tanto sangue? Juruna aparece em uma miragem e diz: “Agora você não carrega mais um nome branco, você é Reis Malunguinho, o mestre de capoeira que salvou e salvará muitos negros com a chave que se desenha no céu noturno, aquele que será maldito pelos escravagistas, mas que irá fazer do Quilombo Catucá próspero, livre e resistência.”
O Malunguinho foi crescendo nas rodas de capoeira do quilombo, até ser repeitado como o grande Malunguinho de Catucá, onde por toda região seu nome ecoava com gestos de liberdade. Defendeu o quilombo de muitos ataques com sua estratégia impecável e fervor na luta, atacou e libertou vários escravos com a ajuda do espiritual e seus companheiros.
Um dos engenhos mais cruéis de Pernambuco sequestra o filho de Malunguinho, ele sabe que não podia sacrificar todo quilombo numa empreitada onde todos morreriam, mas Malunguinho nunca ficaria parado numa condição dessas. Malunguinho usa toda sua liderança para que não arrisquem a vida de mais ninguém nessa luta e para que sejam sábios nas lutas que escolherem, ele iria sozinho e seus companheiro tomariam conta de Catucá.
Malunguinho usa toda sua estratégia e furtividade, mas não é suficiente, ele é pego pelos colonos e como suas últimas palavras antes de sua morte ele diz: ”Para todos os cativos: Essa terra é muito maior do que qualquer branco possa imaginar”.
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