O livro Xeque-mate no inferno é na perspectiva de um soldado criado por raízes patrióticas pela qual o guiam por uma jornada traumática dos horrores da guerra, no contexto da obra, é descrito com inúmeras referências à segunda guerra mundial.
A experiência militar é dada com nuances destacando o precoce fim de inúmeros personagens, seja pela violência física, moral ou social deste cenário caótico.Toda a narrativa é na visão em primeira pessoa desse soldado mineiro Victor Hugo Milagres e suas vivências mesclam-se entre a paixão pelo xadrez, o racismo, o patriotismo e seu amor por sua família.
Não podia ser outra experiência a não ser a tragédia desse mergulho caótico do enfrentamento mais cru e sombrio que é a guerra.A escolha do autor por uma perspectiva dita do cotidiano da guerra, ou seja, não pelos altos escalões que decidem sobre a vida das pessoas que se tornam número no campo de batalha foi apaixonante e inspirador nas tensões criadas entre um capítulo e outro, pelo qual este personagem encara com muita coragem os desafios do dia-a-dia de uma guerra com muito sangue derramado, o que faz refletir sobre a postura do patriotismo da personagem.
O enredo é cadenciado, mistura uma visão pelos ambientes com referências claras, a sombra do racismo mediante o combate a eugenia nazista é latente e esclarecedora para o tempo ao qual vemos manifestações de supremacistas brancos a obra posiciona-se posta a visão de respeito e diversidade, fazendo da obra uma leitura essencial para os dias de hoje.
O patriotismo é posto como uma identidade ainda que possa ser desbalanceado na medida de quem assume o poder, mas é uma provocação a quem deseja explorar as referências como o Triste fim de policarpo quaresma, podemos notar a direta ligação com outras obras clássicas como a Divina Comédia, a Ilíada e até Memórias póstumas de Brás Cubas na forma que é feita a narrativa.As partidas de xadrez no livro apresentam para além do aspecto lógico uma carga emocional pelas questões envolvidas sobre a batalha ideológica nos campos de concentrações nazistas, que os resistentes sobreviventes prisioneiros tentam manter-se firmes nas cruéis ideias onde só a força e determinação podem combater este regime eugenista.
A experiência de ler Xeque-mate no inferno de Sebastião Milagres é de enriquecer-se culturalmente, emocionalmente e fazer a devida reflexão sobre a identidade brasileira e sua condição ainda fragmentada, pelo qual o fascismo e outras formas de opressões ainda vigoram sobre as manifestações mais autênticas e populares como o afeto, celebração e espontaneidade do brasileiro.
Quero ler: https://wpadmin.filoseditora.com.br/produto/xeque-mate-no-inferno-vii-a/
Podcast:
BerioniS.O, Stefano Dos Reis Berioni. Santana de Parnaíba, 14 de março de 2025. Escritor e Ator. Autor da Metafísica de um boia-fria e Bela sina arte finda em cinza.
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